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    Um Brasileiro na Tanzânia - A Terra do Kilimanjaro e de Zamzibar
     


    Número 19 - A Curiosa História de Zanzibar

    No último final de semana na Tanzânia fui visitar a ilha de Zanzibar. Peguei um voo direto do Aeroporto Internacional de Kilimanjaro para a ilha. Mas uma vez voei de PrecisionAir. Devo confessar que posso ter cometido uma injustiça com essa companhia aérea no blog de número 15 ("Hakuna Matata"), pois nesse voo o serviço de bordo foi muito bom, o avião era mais moderno e pela segunda vez consecutiva decolou com uma pontualidade britânica. Viajei no sábado e retornei à Arusha na terça-feira à noite. Uma das razões de ter retornado na terça-feira à noite é que nesse dia foi feriado nacional na Tanzânia em comemoração à Revolução que aconteceu em Abril de 1964 de cunho socialista e que culminou com a união à antiga República de Tanganyika, formando a República Unida da Tanzânia.

    Zanzibar está no nosso imaginário, eu especialmente tenho lembranças que remontam à minha infância de histórias de sultões dos contos de Mil e Uma Noites e de músicas de Axé Baiano (isso já da minha adolescência) que citam a ilha. É a ilha das especiarias ("spicy island"), é a terra natal do Freddy Mercury, é a ilha que Sinbad, o marinheiro das Mil e Uma Noites, atracou o seu navio, é o lugar que foi dominado pelos árabes por mais de 1.000 anos (aprox. 500 a.c até meados do século XV e que foi o entreposto comercial dominado pelos portugueses por mais de dois séculos, foi um sultanato unido à Omã, depois disso um protetorado inglês, protetorado alemão, depois voltou para as rédeas dos ingleses, se tornou independente como uma monarquia constitucional em 1963 e depois disso em 1964 se uniu à um outro país, deixando novamente de ser independente. Atualmente, por incrível que pareça, 90% da população quer novamente sua independência... UFA !!! Acompanharam tudo ???

    Zanzibar é formada por duas ilhas (Unguja ou Zanzibar e Pemba). A população de Zanzibar não chega a 1.000.000 de habitantes, desses, aproximadamente 200.000 vivem na ilha de Pemba. 90% da população é muçulmana. Diferentemente da Tanzânia continental fala-se 03 línguas: Inglês, Suaíli e Árabe. A economia gira em torno da agricultura de especiarias e do Turismo. Zanzibar e Pemba tem uma quantidade de mega-resorts e hotéis de luxo de deixar a costa do sauípe no chinelo. A ilha é bem plana e está ameaçada pelo aquecimento global ou por tsnunamis. Com exceção dos meses de junho e julho o calor é equivalente a uma sauna, inclusive a água do mar é bem morna. A ilha é cercada de barreiras de corais e a água é de uma transparência estonteante.

    Primeiro foram os árabes, depois os portugueses. O idioma português influenciou consideravelmente o Suaíli. Tirei essa foto no Museu Histórico Nacional de Zanzibar.

    Lá pelos meados do século XVII os portugueses foram expulsos pelo Sultão de Omã e foi criado um Sultanato que era formado por Omã (no oriente médio), Zanzibar e Pemba. Um belo dia a barra ficou pesada para o Sultão lá em Omã e ele resolveu se mudar para Zanzibar. No século XIX o Sultão resolveu voltar para Omã e deixou um dos seus filhos como Sultão de Zanzibar. O Sultão pai morre e um dos irmãos fica com Omã e o outro com Zanzibar. Nessa altura se desfaz a união. Um belo dia esse Sultão recebe uma visita nada amigável de uns navios ingleses e durante 02 horas Zanzibar e totalmente destruída por um bombardeio. O Sultão capitula e foge para o continente onde hoje é a Tanzânia Continental que na época era uma colônia alemã. Em Zanzibar vangloria-se que essa foi a guerra mais curta da história mundial. Aí explode a primeira-guerra, os otomanos (aliados dos alemães) põem os ingleses para correr e o amigo Sultão volta à Zanzibar. A guerra termina e os ingleses saem vitoriosos e o Sultão muito esperto alinha-se com eles e Zanzibar passa a ser um protetorado britânico. Um belo dia os ingleses cansam-se dos 40º médios e dizem "bye bye" para o Sultão. Te vira aí amigo... E em 1963 Zanzibar torna-se um país totalmente independente, sendo uma Monarquia constitucional, com primeiro-ministro, embaixadas na Inglaterra, ONU, EUA e tudo mais. Porém, em 1964 explode uma revolução de caráter socialista e o Sultão se exila na Inglaterra, onde aliás, vive até hoje. É por causa da Revolução que a família do Freddy Mercury foge para a Inglaterra (ele à época com 17 anos) O governo revolucionário financiado pela República de Tanganyika - que tinha se tornado independente do domínio britânico e que também tinha um viés socialista - assina logo em seguida um tratado de união, formando a República Unida da Tanzânia. Até 1995 a Tanzânia era regida por um regime de partido único de cunho socialista. Após 1995 implementa-se uma democracia multi-partidária – meio capenga diga-se de passagem -  pois o partido CCM mantém-se no poder através de eleições não muito justas. O CUF (partido de oposição) defende atualmente a independência de Zanzibar. Realmente são culturais e histórias totalmente distintas e por isso faz sentido a independência, por outro lado Zanzibar independente seria um país minúsculo, dependente totalmente da agricultura e do Turismo. Vai saber o que é melhor !!! Mas se depender da vontade da população logo em breve teremos mais um país independente.

    No próximo post vou falar da minha viagem por Zanzibar e tudo que vir por lá.

    PS: Dizem que descobriram petróleo por lá. Peço à Deus e à Alá que não seja verdade. Nem o povo, nem a natureza de Zanzibar merecem tal praga !



    Escrito por Rodrigo Barbosa às 16h01
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    Número 18 – Ainda sobre Comidas e também sobre bebidas

     

     

    Tem um monte de coisa que ainda não falei sobre comidas e bebidas e vou fazer mais um post sobre esse tema.

     

    Começando pelas bebidas. A cerveja: tem a Kilimanjaro (a que mais gostei, pois lembra bem a Original aí do Brasil. Diz a propaganda que é feita com a água da neve do Kilimanjaro, como a neve está no fim devido ao efeito estufa eu não sei qual vai ser o futuro da nossa amiga. Tem muito lugar que não vende a cerveja bem gelada, talvez influência dos europeus.

     

     

    Coca-Cola cada lugar vende de um país diferente. Eu bebi Coca-Cola do Quênia, da África do Sul, do Egito e até da Arábia Saudita.

     

    Tem um refrigerante que era local – mas agora é da Coca-Cola - que é bem gostoso. Chama-se Krest. A Coca-Cola Company fez a mesma coisa na Tanzânia que o nosso glorioso guaraná Jesus no Maranhão. “Se você não pode vencê-lo junte-se a ele...” Ou nesse caso: compre-o !

     

    Todo lugar tem drinks à base de Amarula. Afinal Amarula é o “Spirit of Africa”. É bem barato no supermercado. A garrafa sai por R$ 25,00. Só não comprei umas garrafas, pois já estava no limite de peso das minhas bagagens. No lodge do safári serviram um vinho da Tanzânia. Todos falaram que era bom. Eu gostei, mas cá entre nós, a minha opinião não é de muito valia, pois sinceramente não sei nada de vinhos. Só sei que gosto de alguns e de outros não. Esse eu gostei.

     

    Drinks e bebidas no Via Viva e no Maasai Camp são proibitivos. Caros ! (tipo R$ 10,00 cada). O povo local não é de tomar porre. Os únicos bêbados que vi eram europeus e alguns de nós (sem citar nomes, por favor...).

     

    Em relação à água, DICA IMPORTANTE: Na África beba somente água mineral. Todos seguiram essa dica e não tivemos problemas de saúde.

     

    Vou sentir falta:

     

    Bolinho de canela e pão de banana do Outposto Lodge.

     

    Da companhia fantástica dos meus colegas da IBM, pois realmente são pessoas especiais.

     

    Do Cris fazendo as contas de quando daria para cada um....

     

    De todos beliscando os pratos um dos outros para potencializar as experiências gastronômicas.

     

    Do Jantar inesquecível em Zanzibar, apesar de estar sozinho.

     

    E do Jantar de despedida que a Glória organizou no Kibo Hotel. Camarões, Lagostas e tudo mais. De babar !!!

     

    Amanhã falarei para vocês de Zanzibar !

     

    Até lá !



    Escrito por Rodrigo Barbosa às 04h34
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    Número 17 – Comidas na Tanzânia

     

    Nada de cérebros de macaco !!! Olha que eu procurei. Já pensou eu contar para vocês que comi cérebro de macaco ou cobra recheada com carne de crocodilo. Seria o máximo ! Frustrante....

     

    Essas 04 semanas aqui na Tanzânia comida realmente não foi um problema. Passei muito bem. Obrigado ! Aqui em Arusha e em Zanzibar se come muito bem. Restaurantes italianos, chineses, indianos, japoneses, cozinha contemporânea, cozinha internacional, uma cópia do McDonald’s (McMoody’s), dezenas de cafés, lojas de chocolate e até uma espécie de churrascaria com cortes especiais do Quênia. O Quênia é uma espécie de Argentina para os tanzanianos, ao menos no que se refere a carnes. Além disso, tem obviamente os restaurantes locais - que são mega baratos - e que a especialidade é a tilápia pescada no Lago Victoria. O melhor que eu fui chama-se “Milk and Honey”.

     

    Meus favoritos:

     

    1 -     Um chinês (Everest Inn) perto do OutPost. Tudo lá é excelente. Comi um pato defumado com panquecas que não vou esquecer e é barato. Tudo é bom. Peça qualquer coisa que você não vai se arrepender.

    2 -     O Japonês (fica em frente ao Everest Inn) que eu não tive ainda coragem de comer o Sushi é excelente também. Apesar de vender carros usados no mesmo lugar, todos os meus colegas, passado uma semana, continuam gozando de saúde.

    3 -     Tem uma loja de chocolate no Mall Shoprite fantástica. Feitos com cacau aqui da Tanzânia. Não é barato !

    4 -     O lugar que a gente mais jantou foi num italiano chamado PEPE. As massas são excelentes e é a melhor pizza da Tanzânia. Todos dizem isso e é muito boa mesmo. Todas as massas são excelentes e o ambiente é muito legal. Preço razoável.

    5 -     O “Milk and Honey” (fica perto da torre do relógio) é o melhor restaurante local. Lá você pode comer a o prato típico: Arroz - igual ao do Brasil -  bem gostoso, vegetais e tilápia frita bem crocante. De encher a boca ! Lá também tem os famosos salgadinhos da Tanzânia: Uma espécie de esfirra fechada bem crocante recheada com carne e um bolinho de carne banhando em ovos e frito. Ambos levemente apimentados.

    6 -     Almoçar no Coffee Lodge também é um programa imperdível.

    7 -     Vá ao McMoody’s e peça um Milk Shake chamado Mocha. Deixa o Ovomaltine do Bob’s no chinelo.

    8 -     Indo a Zanzibar almocem e jantem (todos os dias se possível) no Mtone Marine. Lá tem 02 restaurantes. Um restaurante mais descontraído para o almoço e outro mais sofisticado para o jantar. Ambos funcionam o dia inteiro. O hambúrger no Spot Bar não deixa a desejar as melhores hamburguerias de São Paulo, pizzas idem, massa idem. E no restaurante que jantei peça o Seaside Menu (entrada, sopa, prato principal e sobremesa). De tão bom comi lá duas vezes. A melhor combinação que você pode fazer é: Tapas de Camarão (não vou esquecer...), uma sopa a base de capuccino, especiarias de Zanzibar e lagosta, o prato principal – pode pedir qualquer um - todos são bons mais não tem nada de especial....e a MELHOR SOBREMESA QUE COMI NA MINHA VIDA !!! Basicamente é um creme brulet, sorvete de café e um fruta estranha.... mas tem que comer para saber o que eu estou dizendo.

     

    No mais, o povo aqui não é muito chegado em queijo. Tudo que leva queijo, você sente só o cheiro (a única exceção foi no Mtoni Marine). Talvez seja caro.. não sei !

     

    O chocolate e o café local são realmente muito bons.

     

    Ninguém passou mal do estômago e a minha caixa de Imosec continua fechadinha da silva. Na visita à escola ofereçam a nós os tais salgadinhos e por educação comemos. Realmente a cara não é boa. Mas são realmente muito gostosos. Depois eu fiquei pensando: imagina um americano olhando para a nossa coxinha de frango. Devem ter as mesmas preocupações e preconceitos que tive com os salgadinhos locais aqui da Tanzânia.

     

    Por último: O café da manhã do Outpost é péssimo. Todo dia como apenas um croassant e tomo um copo de suco.

     

    Bom apetite !!!



    Escrito por Rodrigo Barbosa às 11h40
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    Número 16 – A arte de pechinchar.

     

    Jambo !

     

    Antes de mais nada: descobri uma coisa muito legal para o meu bolso ao entrar no extrato bancário da minha conta aí no Brasil. Todo o dinheiro que saquei aqui na Tanzânia em ATMs foi num câmbio que é 1.000TZS = R$1,70. Eu estava fazendo sempre a conta de 1.000TZS = R$2,00. Viva a globalização !!! E a possibilidade de sacarmos dinheiro em qualquer lugar do mundo.

     

    Falando em dinheiro... Ir num mercado local e fazer pequenas compras é uma aventura ! Nada tem preço fixo. Desde táxis, cortes de cabelos, tudo que se refere a serviços, que se vende nas feiras, nos mercados e artesanato, nada tem preço fixo. E aí entra a arte de pechinchar. Eu realmente não sou um bom comprador por natureza, mas aqui eu tive um curso intensivo de “Compras”. Estou apto há deixar a carreira de vendas e começar uma nova carreira como comprador !

     

    Alguns exemplos:

     

    Táxi do Outpost Lodge  para a TATO. No primeiro dia perguntamos quanto era e o taxista do hotel disse que era 5.000TZS. No final do dia conversando com o Victor, da TATO, ele nos disse que estava caro. Conseguiu um taxista que faria o mesmo percurso por 3.000TZS. Viramos fregueses do Said – o tal conhecido do Victor. A parte engraçada é que ele fala o básico de inglês e passamos poucas e boas (eu e a Glória). Vou ainda dedicar um ou mais posts sobre comunicação e o meu amigo Said será mencionado novamente. Reparem: uma redução de 40%. Hoje aqui em Zanzibar peguei um táxi do hotel para o mercado central. Preço da ida (tabelado no hotel): 7.000TZS. Preço que conseguir pechinchar na volta pegando um táxi na porta do mercado: 3.500TZS - redução de 50% ! Será que o Said está cobrando o preço justo ? Boa pergunta. Sei lá ! Não faço a mínimo idéia !.

     

    Fui um dia comprar algumas bobagens de artesanato em Arusha. Separei algumas coisas e perguntei quanto era tudo. A moça me disse que eram US$200,00. Usei da técnica que já aprendi logo no começo: “In Shilings, pls!!!”. Ôook.. 200.000TZS (detalhe: só ai, já reduziu mais de 25%, pois o câmbio é US$1,00 = 1.340TZS. Ai eu disse para ela em tom de brincadeira: “You are crazy ???”... Moça - “Diga-me quanto você paga ?” Eu – “Não, diga você quanto vale !” Moça - “Ôook.. dê-me 150.000TZS”.... Eu sentido a temperatura ofereci 80.000TZS... conversa vai... conversa vem: levei tudo por 100.000TZS + um zebrinha que tava dando sopa... Fazendo as contas dá uma redução de inacreditáveis 73%!!!

     

    E hoje foi o ápice: andando nas vielas de Stone Town - Capital de Zanzibar - (Aliás, programa imperdível. Vou falar de Zanzibar nos próximos posts) me deparei com vários árabes vendendo especiarias e me interessei por uns sabonetes feitos de especiarias locais. Perguntei para o primeiro quanto era. Ele olhou para mim - pausa... - e disse: “dois dólares ! cada !”. Achei caro prá burro. Disse obrigado e segui meu caminho. Mais adiante encontrei outro árabe com mais coisas no tabuleiro. Lembrei de usar a minha tática de dizer que era do Brasil, país pobre... blá, blá, blá (“Ronaldos !!!”), etc. De cara ele abriu um sorriso e disse que cada um custava US$1,00. Ops !! Captei a mensagem e comecei a minha negociação. Queria comprar 10 (5 de cravos e 5 de canela). De cara falei para ele me dizer o valor em shillings. Não deu outra:  Ôook.. 10.000TZS”. Eu: “Amigo, quero comprar 10 !!! dou 5.000TZS !.... depois de uns 5 minutos de negociação: levei pelos 5.000TZS !!! R$0,85 cada !

     

    Acompanhem: US$ 2,00 = R$4,60 x 10 = R$ 46,00. Paguei 5.000TZS=R$ 8,50. Redução de 81,52%.

     

    Será que paguei bem ? Só Deus e Alá é que sabem !!!

     

    Ontem em Zanzibar após o mergulho tinha que pegar um táxi do centro de mergulho para o hotel (aprox. 1km). Quanto é o táxi para Mnarani Beach ? 15.000TZS. Você está louco !?!? O hotel fica aqui bem pertinho... Ôook..10.00TZS. Amigo, você está realmente louco. Obrigado !  Ei.. ei.. Ôook.. faço então por 5.000TZS.  Realmente dessa vez não deu ! Dei um sonoro “Esqueça !” para o cidadão e fui caminhando pela praia. Trinta minutos caminhando pela praia não mata ninguém !

     

    Dessa fez a redução foi de 100% ! Desculpe a economia de Zanzibar,  mas tudo tem limites.



    Escrito por Rodrigo Barbosa às 17h07
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    Número 15 - Hakuna Matata !

     

    Passar um mês num país é uma experiência fantástica em todos os aspectos. Nesse dias por aqui realmente dá para sentir um outro ritmo “africano” de ser. Aí no Brasil entenda-se aquele ritmo “baiano” e quem conhece o Maranhão sabe o que eu estou falando... “Hakuna Matata” e “Pole Pole” é o que mais se escuta.

    Hakuna Matata -  “It means no problems...” Lembram do Rei Leão ? Pole Pole - Significa mais ou menos o seguinte: Devagarzinho.. devagarzinho... ou ‘sem stress...” ou na tradução para o dicionário cearense; “Calma aí macho, vamô devagar !!!” ou para o dicionário baiano: “Calma aí meu rei !!!”. As lojas fecham às 17:00hs. Aqui na TATO todos saem religiosamente às 17:30. Duas horas de almoço são sagradas. Horário de reuniões... esqueçam ! Marcam-se as reuniões assim: “Amanhã pela manhã nós nos reuniremos.. ok ?”  Na primeira vez cai na besteira de perguntar que horas seria a reunião e a resposta foi: “Pela manhã !”. Depois relaxei. Até por que se a reunião acontecer mesmo pela manhã no dia seguinte já será um milagre. Ah ! E vocês pensam que alguém avisa que a reunião foi desmarcada ? Que nada ! Depois alguém nos procura e diz: “Nossa reunião de hoje mudou para a tarde.. ok ?” Isso já depois do almoço !

     

    Ontem eu fui comprar a passagem aérea para Zanzibar (vou para lá amanhã - sábado). Saí da TATO por volta das 13:00 horas, almocei rapidinho e fui lá na esperança de até às 14:00 horas estar de volta na TATO. Cheguei às 13:30 no escritório da empresa aérea. Só eu e mais quatro funcionários. Gastei inacreditáveis 01 hora e 10 minutos para emitir um simples bilhete aéreo. Vocês acreditam nisso !!! Cheguei na TATO quase às 15:00. Vou tentar (pena que não gravei !!!) mostrar como foi a conversa em algumas linhas.

     

    1 - Eu: Jambo !. Quero comprar uma passagem ida e volta para Zanzibar. Ida sábado dia 04 e volta na terça dia 07. Poderia me confirmar os horários e valores ?

    2 - O tiozinho: ÔOOK. (tudo eles começam com esse ÔOOK). Zanzibar.. Hum... “Sure !!!” Zanzibar !!! Sim ! Temos vôos para Zanzibar. (Pausa)

     

    3 - Eu: Eu sei ! Idem 1. 

     

    4 - O tiozinho: ÔOOK. De onde você é ?

    5 - Eu: Brasil.  (Caí na besteira de dizer que era do Brasil ! Foram mais ou menos uns 20 minutos com todas as perguntas sobre o Brasil que vocês possam imaginar e mais alguma coisa sobre o Maradona e a Argentina !).

    ... 568 - Eu: Senhor, desculpe. Mas realmente tenho um compromisso e preciso ver a passagem.

    569 - O tiozinho: Hakuna Matata !!! (o primeiro de muitos). Quando que o senhor quer ir mesmo para Zanzibar.

    570 - Eu:  Idem 1. 

    571 - O tiozinho : Deixe-me ver ! Ai tocou o telefone e ele atendeu ! Por baixo uns 15 minutos. A  conversa foi em inglês com um cliente.

    572 - O tiozinho : Ok. Aqui está ! (Ele me deu as opções de horários via KIA ou Arusha e os valores que são iguais).

    573 - Eu:  A minha opção é por KIA ! - Ele ficou por 10 minutos tentando me convencer que seria melhor eu ir por Arusha já que o translado para o aeroporto é sem custos a partir da loja do centro e para Kilimanjaro ia me custar 10.000 shilling (R$ 20,00). Expliquei a ele que se eu fosse por Arusha eu ia perder o sábado inteiro e a terça-feira também. Ele não conseguiu entender por que eu estaria disposto a gastar 10.000 shilings somente para ganhar um tarde de sábado e outra tarde da terça-feira em Zanzibar.  Ok ! Eu venci !

     

    Ai toca o telefone de novo ! (dessa vez foi mais curta a ligação... uns cinco minutos !).. Ufa ! Dessa vez a conversa foi em Suaíle. Ele desliga e começar a teclar no computador. Mais 05 minutos... Eu em silencio e ele teclando... Eu pergunto:  74 - Eu:  Tudo ok ? 

    575 - O tiozinho: Um momento por favor.   + 5 minutos (no relógio !!!)  576 - Eu:  Desculpe, tudo ok ? 

    577 - O tiozinho: Pole Pole !!! Minha mulher me ligou e preciso ver uma coisa para ela aqui.. Mas já estou terminando !!   + 2..3 minutos...

    578 - O tiozinho: Ok. Deixe me ver sua passagem.  10 minutos e ele entrega a passagem na minha mão. Eu conto o dinheiro e entrego para ele ! Não aceitam cartões de crédito ! Vocês acreditam nisso ! Uma empresa aérea que não aceita cartão de crédito. Se quiser comprar com cartão de crédito tem que entrar no site da KLM e emitir o bilhete por lá (detalhe: é mais caro !).

     

    Agora vem a parte mais engraçada. Ao sair pensei comigo mesmo: Imagina se eles tivessem um 0800 !!!  Atravessei a rua. Andei mais 02 quarteirões e me deparei com essa propaganda da gloriosa Precisionair:

     

     

    Será que um impala (de novo: é um impala, parece o bambi, mas não é !) me atendendo por telefone ia ser mais rápido ?

     

    Vou voltar outro dessa viagem. Hakuna Matata !!! Pole Pole !!!

     



    Escrito por Rodrigo Barbosa às 11h39
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    Número 14 - O Orfanto

     

     

    Fomos ao orfanato todos numa VAN que o Victor providenciou (sem custos). O povo daqui também se ajuda !

     

    Os americanos, o japonês e a inglesa ficaram horrorizados com a pobreza da periferia. O Italiano - que já ficou 06 meses na Zâmbia - o Indiano, a filipina e eu  obviamente já vimos bairros mais pobres nas nossas vidas. Uma observação: a Tanzânia perto da Zâmbia é a um oásis de desenvolvimento e bem-estar social.

     

    O Orfanato eu já descrevi na minha primeira visita. Ao chegarmos percebi o quanto foi chocante para os colegas do primeiro mundo a situação do orfanato. Todas as crianças correram a nós. Uma alegria só ! A Colleen (americana) ao colocar o primeiro no colo caiu em prantos e foi assim até irmos embora. O Cris (americano também) no início ficou meio-desconfiado. Sentou num batente e ficou lá observando mais de hora...Depois sacou a câmera chamou as crianças e se entregou. O japonês ensinou as crianças do orfanato e da vizinha toda a arte do origami. A Cristine e a Sally era uma alegria só com as crianças. Vi a hora a Sally enfartar de tanto brincar. O indiano conversou e deu atenção à todas as crianças. A Gloria, o Andréa e Anna (esposa do Andréa) distribuiram os presentes, conversaram com os vizinhos e foram muitos carinhosos com as crianças e com a moça que cuida do orfanato. Eu... bem... não fiz nada de especial. Um pouco de tudo. Vejam as fotos no fotoblog.

     

     

    Todas as crianças vão para escolas. Seis delas tem patrocinadores estrangeiros que pagam o transporte e a escola privada (ensino em inglês). Cinco delas que ainda não tem patrocinadores vão a escolas públicas. As condições são precárias. Mas deixemos as ajudas financeiras para os europeus e americanos pois temos nossos orfanatos e creches brasileiras que precisam muito de nós. Se você quiser ter um final de semana legal: escolha ai um orfanato no Brasil e passe um dia lá !

     

    Na saída, todos ganharam beijos calorosos das crianças e da moça. Engraçado ver o japonês e o americano sendo beijados no rosto duas vezes pela moça e pelas crianças.

     

    De fato o que me encantou foi o carinho das crianças, a felicidade delas e dos meus colegas em estarem ali. Cada um com uma percepção distinta, uma história de vida diferente, um olhar, gestos de carinhos, tudo diverso. Humano.

     

    Foram momentos especiais que eu não vou esquecer.

     

    À noite, no lodge, peguei as câmeras fotográficas e comecei a baixar as fotos. Quando todos foram dormir comecei a passar as fotos – uma a uma – na tela do meu laptop e tive uma crise de choro de mais de 30 minutos... Sei lá por quê !!!

     

    Saudades das pessoas que eu amo, dos meus amigos e da Belinha (minha cachorra).

     

    Um abraço forte à todos !

     

    PS: Finalmente consegui sicronizar os textos e as fotos. Estão todas lá:  http://rodrigo.freitas.barbosa.nafoto.net/



    Escrito por Rodrigo Barbosa às 05h54
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    Número 13 - Os preparativos para a visita ao Orfanato

    O resto da semana transcorreu com algumas reuniões na TATO, muita leitura sobre o turismo na Tanzânia, dados - alguns meio duvidosos - relatórios e mais relatórios (papel aceita qualquer coisa...). Cada dia que passa tenho um olhar mais crítico sobre a coordenação e a liderança da TATO na indústria do Turismo da Tanzânia. Falta profissionalismo, estrutura, organização e a proximidade com o partido CCM (partido do governo) me deixa desconfortável. De qualquer forma seguimos com os nossos estudos e pretendemos concluir um material com um conjunto de recomendações de melhores práticas

     

    Os almoços e jantarem servem para descobrir a gastronomia local e a vida noturna em Arusha me foi apresentada na quinta-feira à noite quando fomos ao “Via Via” . Vou escrever mais adiante sobre isso.

     

    O fato marcante sem dúvida foi a visita que fizemos (eu e a Glória) na quinta-feira após o expediente a um orfanato na periferia de Arusha. Fomos com o Victor que tem uma empresa de publicidade e uma pequena operadora de turismo (o escritório dele fica ao lado da TATO e a empresa é um dos membros associados). É talvez com essa operadora que iremos desenvolver o tema do turismo voluntário. O Victor, o irmão dele e alguns amigos ajudam nesse orfanato.

     

    A periferia de Arusha é para lá de pobre. Um labirinto de vielas sem calçamento. O poder público não passa nem perto. Algumas casas são de tijolos, outras de madeiras. Tudo muito pobre, desorganizado e sujo. Mas ao contrário das favelas brasileiras o clima é de tranqüilidade e de forma alguma passa sensação de insegurança ou medo. A periferia de Arsuha é enorme e se confunde com a zona rural. É tudo muito espalhado. Não há concentração urbana intensa. Ao lado das casas é possível ver pequenas hortas, sítios e plantações.

     

    O orfanato fica numa casa alugada e tem 11 crianças. A maioria entre 4 e 10 anos. O mais novinho tem 1 ano e a mais velha é uma menina de 14 anos – mas qualquer um daria no máximo 9... talvez 10.

     

    A casa se divide em três áreas: um bloco com 02 quartos, outro bloco com uma espécie de saleta minúscula, um quarto minúsculo e um vão que eles chamam de cozinha - não tem nada há não ser um fogareiro no meio - e outro bloco com 02 banheiros. As crianças dormem em beliches amontoadas umas às outras. Roupas e brinquedos velhos espalhados por todos os lados. Uma moça cuida de tudo. Ela resolveu se dedicar a ajudar no orfanato depois que deixaram 02 crianças na porta da sua casa. Uns amigos se juntaram e resolveram formar o orfanato. Alguns parentes da moça ajudam. Todas as crianças à chamam de “Mama” e percebi um real carinho dela para com as crianças e vice-versa. Higiene e organização realmente não são os fortes dela. Dedicação, simpatia e amor são !

     

    No sábado a Glória, a Colleen e Sally (obviamente com o suporte local do Victor) foram ao mercado comprar comida para o Orfanato. Infelizmente perdi isso, pois depois do almoço fui para o quarto e me distrai assistindo a Aljazeera e quando fui procurá-las elas já tinha ido. Uma pena ! Mas depois do relato delas estou louco para ir lá. Talvez na próxima sexta-feira. A conta deu US$ 25,00 para cada um. Foi comida suficiente para 02 meses: Arroz, Batatas, Feijão, Cenouras, Cebolas, Alho, Tomates, Óleo e Açúcar.

     

    Montamos também kits com brinquedos que a Glória trouxe dos USA, cadernos e materiais de pintura (trazidos pela Sally), camisetas (trazidas pela esposa do Andréa). Compramos também balas e biscoitos e colocamos nas sacolas. Isso foi sábado à tarde.

     

    Sábado à noite fomos ao Maasai Camp. Um clube muito legal. Maior e mais cheio que o Via Via. Música eletrônicia, indianos, turistas europeus, um povo estranho, etc, etc. Os preços das bebidas proibitivos... (US$ 5,00 o drinque e US$ 3,00 a cerveja – para nós brasileiros bem caro !)

     

    Domingo almoçamos num restaurante japonês que confesso a vocês... Se eu estivesse sozinho nunca que iria... Mas o povo da IBM é mais doido que eu e lá fomos nós... Indicação do Japonês que tinha almoçado outro dia lá. Eu fiquei num Yakssoba básico (uma delícia.. vou voltar para comer outro). Meus colegas se aventuram nos Sushis e outros pratos mais diferentes Todos adoraram. Eu não tive essa coragem. Falei para o Cris – que ficou enchendo o meu saco – que se todos sobreviverem por 01 semana talvez eu volte e coma Sushi. Mas espero que ele esqueça essa minha promessa, pois eu não estou disposto a cumpri-la. O interessante é que o mesmo japonês dono do restaurante tem uma loja de carros “japoneses” usados nos fundos do restaurante. Ele vai uma vez por mês em Dubai comercializar carros. Vocês acreditam nisso ??? Ir para Dubai comprar carros !!!

     

    Depois disso fomos passar a tarde no Orfanato. Conto para vocês como foram mais tarde. Antes vou tentar colocar as fotos. Só vale a pena vendo as fotos ao mesmo tempo no Fotolog (http://rodrigo.freitas.barbosa.nafoto.net/).

     

    Até mais tarde...

     

    PS: To quase colocando o blog em dia !!!



    Escrito por Rodrigo Barbosa às 09h32
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    Número 12 - Arusha School

    Na terça-feira (24/março) fomos visitar uma escola pública aqui em Arusha. Arusha School East África. A única escola pública de ensino secundário com educação em inglês da região. Existem inúmeras escolas públicas  primárias nas zonas rurais e nas cidades cujo ensino do inglês é precário. Ensina-se em Suaíle e mesmo sendo pública paga-se uma taxa equivalente a US$ 400,00 por ano. A escola é grande, quase um campus universitário. Grande parte das crianças moram na escola já que são oriundas das zonas rurais.

     

    Cada período tem três meses, tendo um intervalo de um mês de férias entre cada período. Fomos à escola no último dia de aula do primeiro período do ano. Abril é férias escolares aqui e os alunos retornam para as suas casas.

     

    Não há computadores. Tudo ainda é manual. As crianças são extremamente disciplinadas e educadas. Todas com fardas verde-escuras. A escola tem 900 alunos, sendo que 260 deles moram na escola. A equipe é formada por 71 profissionais, sendo 41 deles, professores.

     

    A maioria esmagadora são crianças africanas, mas há algumas de origem indiana. Em Arusha há muitos indianos e há uma forte presença e influência da cultura indiana devido à colonização nos séculos 17 e 18 na ilha de Zamzibar (por muitos anos Zamzibar foi um sultanato indiano) e região da costa. Portanto, percebe-se uma forte influência da cultura indiana na gastronomia - todo restaurante aqui tem um menu de comida indiana – no comércio, na televisão e na música.

     

    Não vi nenhuma criança branca, nem “Yellow” como eles chamam os nossos “Morenos”. Todos os “Yellows”, brancos e a maioria dos indianos - que em geral são de classe média ou comerciantes - estudam em escolas privadas ou internacionais e há muitas delas aqui em Arusha de excelente qualidade. Há também uma classe média negra em ascensão e essa classe média faz enormes sacrifícios para desembolsar de US$ 4.000,00 até US$ 5.000,00 por ano para colocar seus filhos em boas escolas privadas. Nessas escolas ensina-se praticamente tudo em Inglês. Suaíle é apenas uma das disciplinas.

     

    O dia foi bastante produtivo e interessante. O grupo de IBMistas se dividiu em subgrupos e projetos. Todos foram às salas de aula falarem de seus países e culturas. Alguns fizeram uma brincadeira com legumes, outros com jogos de ciência, outros com origame (do nosso amigo japonês). Eu juntei a criançada e fomos jogar bila (como dizem os cearenses) ou bola de gude (como dizem os paulistas)... ou sei lá se tem mais outros nomes no Brasil. Quem souber de mais nomes coloca nos comentários. 

     

    Mas enfim ! Foi divertido ! Um bom programa para quem visitar a região. Nada como conhecer melhor um país do que passar um dia numa escola pública. E óbvio muitas perguntas sobre futebol e “Ronaldos !!!’.

     

    Ah ! Sabiam que o técnico da Seleção de Futebol da Tanzânia é um Brasileiro ? Chama-se Márcio Máximo. Um aluno da escola que me falou...eu não sabia. Depois entrei na Internet e confirmei.

     

    Ao menos todos os alunos e professores da escola agora sabem que se fala português no Brasil e que a nossa capital é Brasília.

     

    Por fim, fazer os “uploads” das fotos está bem complicado. Mas estou tentando.

     

    Para verem as fotos acessem: http://rodrigo.freitas.barbosa.nafoto.net/

     

    Na próxima falarei da visita ao Orfanato.

     

    Um Abraço !

     

     



    Escrito por Rodrigo Barbosa às 05h57
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    Número 11 - Os desafios da Indústria do Turismo na Tanzânia

    Voltando ao trabalho no início dessa semana continuamos nossos estudos sobre como o Turismo na Tanzânia pode ajudar no desenvolvimento do país.

     

    Algumas questões me preocupam: A corrupção; Um Estado que se preocupe com o bem-estar social do povo; Foco do governo em entender e desenvolver a indústria do turismo; E a pulverização dos organismos e associações.

     

    O país precisa de investimentos em infra-estrutura, especialmente nas cidades como: Água tratada; Saneamento básico; Iluminação pública; Melhoramento das estradas (realmente algumas são muito boas) mas outras nem tanto e algumas merecem ser duplicadas devido ao tráfego intenso.

     

    Arusha precisa de avenidas, pois há engarrafamentos durante quase todo o dia. Não há semáforos e os guardas de trânsitos se viram como podem. Um caos ! Não há um programa de educação universal gratuita em todos os níveis. De fato houve um progresso significativo nos últimos 10 anos em educação com a criação de programas de educação primária nas zonas rurais, investimentos privados em escolas secundárias e investimentos públicos em Universidades. Mas de fato a população não tem acesso à escola pública e gratuita e para um país com o nível de pobreza como a Tanzânia isso é um problema grave e que precisa ser revolvido para viabilizar um futuro próspero.

     

    Em Saúde o país precisa investir em educação alimentar (para evitar a desnutrição). O Brasil tem programas nesse sentido que obtiveram muito sucesso nos anos 90 na região Nordeste e seguindo o exemplo do Brasil podia-se diminuir a mortalidade infantil e expectativa de vida da população com programas de educação alimentar e planejamento familiar. Na mesma linha podemos citar o problema da AIDS. Na Tanzânia quase 6% da população está infectada. É um número alarmante, mesmo estando abaixo da média de países como África do Sul , Zimbábue, Namíbia(15% a 18%) e os assombrosos 26,1% da Suazilândia. No Brasil 0,5 % da população tem o vírus HIV. Saneamento Básico inexiste na maioria das cidades e nas periferias das grandes cidades assim como água potável.

     

    Para resolver grande parte desses problemas precisa de investimentos estrangeiros, privados e governamentais e é aí que entra o problema da corrupção. Todos que eu converso aqui citam o problema da corrupção como o mais grave do país. Mas com liberdade de imprensa e democracia, as coisas vêm melhorando.

     

    O segundo ponto é um governo que foque no bem-estar da população. A minha percepção pessoal é que não há um  foco em se criar um estado de bem estar social, com educação e saúde pública para toda a população. Investimentos em infra-estrutura nas cidades e transporte público se fazem necessário com urgência. Em Arusha não há um transporte público organizado e as vans lotam as ruas da cidade. Não precisa dizer que não há segurança e o conforto é zero. Mesmo os táxis não há regulamentação. Quando se pega um táxi deve-se negociar o valor antes e pechinchar (apesar de ser barato – os valores podem variar até 50% de um táxi para outro para fazer um mesmo percurso – nessa hora eu sempre digo que sou do Brasil, país pobre e o preços sempre caem).

     

    A INTERNET é um grande problema para atrair turistas internacionais. A cada dia o conceito de férias e trabalho ao redor do mundo se altera. As pessoas tiram férias mais curtas, outras durante as ‘férias precisam estar ligadas de alguma forma ao seu trabalho e outras ainda podem viajar ao redor do mundo sem necessariamente tirar férias. Imaginem o Cris (do time da IBM US). Ele é designer de web e trabalha em regime de home office em Chigago. Nada o impediria de ficar mais alguns dias aqui na Tanzânia trabalhando normalmente do hotel e aproveitando a vida noturna e os finais de semana. Conheço um americano que trabalha home office em NY que passa meses no Brasil, Tailândia e Austrália. “O Mundo é Plano...”. Mas para isso ser viável aqui precisa de INTERNET de qualidade e não há, e parece que não há ainda também uma sensibilização governamental que esse é um tema que prejudica o turismo, educação e atração de empresas.

     

    Existem dezenas de organismos e associações no país e cada um deles não têm força e estrutura suficiente para articular e, principalmente, executar as políticas do desenvolvimento do turismo no país.

     

    Com a pulverização, os organismos perdem força, estrutura, capacidade de atrair investimentos e de influência junto ao governo e empresas privadas que tem interesse no desenvolvimento da indústria do turismo.

     

    Essa semana (a nossa 3ª) vamos focar em preparar um material para entregar a TATO com esses pontos e também pensar como podemos trabalhar o tema do Turismo Solidário ou “Volunteer Tourism”.

     

    Se alguém tiver alguma idéia, deixa um comentário.

     

    Saudações !



    Escrito por rfreitasbarbosa às 10h39
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    Número 10 - Parque Nacional do Tarangire - Elefantes !!!

    Otem (quinta-feira) após o trabalho aqui na TATO fomos (eu e a Glória) num orfanato na periferia de Arusha junto com um cara que quer desenvolver o “Turismo Solidário” ou como os americanos dizem: “Volunteer Tourism”. Esse é o outro lado da moeda e aí cai a ficha porque estamos num dos países mais pobres do mundo. É para pensar na vida. Amanhã (sábado) ou Domingo todo o time da IBM voltará lá com alimentos e idéias de como essa empresa pode ajudar esse e outros orfanatos ou outros projetos dessa natureza através do turismo.

     

    Falo disso para vocês mais adiante.

     

    Quero finalizar o final de semana, pois no domingo fomos ainda ao Parque Nacional do Tarangire. Foram quase duas horas de estrada até chegar lá.

     

    Eu daria uma dica para vocês. Deixem o Ngorongoro por último, pois depois dele nada mais surpreende.

     

    Mas de fato o dia foi muito legal. O Parque Nacional do Tarangire tem uma das maiores concentrações de elefantes no  mundo. É elefante que não acaba mais !

     

    Tem famílias de elefantes, grupos de elefantes, mães amamentando os filhotes e também elefantes se acasalando e isso é um espetáculo à parte. Às vezes com um pedra !!! Acreditem... acho que tava faltando elefante fêmea no pedaço e um elefante macho que ficamos observando um tanto quanto excitado não contou pipoca, pegou um pedra (verdade uma rocha grande) e mandou ver numa sessão 5 x 1 !!!   Impagável !

     

    A paisagem do Tarangire é linda e vai até aonde a vista alcança. Mas tem bem menos animais que a Cratera. Milhares de Elefantes, algumas zebras (bem simpáticas), alguns gnus, alguns javalis e claro babuínos (os meus preferidos !). Nada de leões e leopardos. Também é um dos parques que tem a maior concentração de Baobás. O Baobá é uma árvore enorme que vive em média milhares de anos. Algumas delas estão lá no parque antes do nascimento de Jesus.

     

    No Tarangire dá para almoçar fora do carro e área de piquenique é mais confortável que a da Cratera. Mas o sol estava escaldante. Na saída do parque todos tomarão a melhor Coca-Cola das nossas vidas (bem geladinhas).

     

    Vocês não fazem idéia da quantidade de poeira... O Banho no OutPost Lodge demorou quase 01 hora e depois cama !

     

    Foi um dos finais de semana mais fantásticos da minha vida !

     

    Um Abraço à Todos !



    Escrito por rfreitasbarbosa às 06h01
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    Número 09 - A Oitava Maravilha Natural do Mundo - A CRATERA DE NGORONGORO

    Pessoal, não é exagero. A Cratera de Ngorongoro é um daqueles lugares que fazem parte da lista dos lugares que se deve conhecer antes de morrer.

     

    Você se sente como num documentário do Discovery Channel ou Animal Planet e a todo instante vêm cenas do Rei Leão à sua mente (Detalhe: eu sou fã do Rei Leão).

     

    Vocês sabiam que SIMBA é “Leão” e Hakuna Matata é “Sem problemas..” em Swahili ? Aliás, nas ruas e lojas houve-se direto Hakuna Matata ! Muitas das paisagens do filme foram inspiradas em regiões do Quênia e da Tanzânia, especialmente a Cratera de Ngorongoro.

     

    A cratera é conhecida como o Jardim do Éden da África e também como sendo a 8ª maravilha natural do mundo, além de ser patrimônio mundial, título dado pela UNESCO ! É IMPERDÍVEL MESMO !!!

     

    Ngorongoro é a maior cratera vulcânica do mundo e se formou à 2.5 milhões de anos quando um vulcão que existia ali (era do tamanho do Kilimanjaro) explodiu e entrou em colapso, desabando para dentro de si mesmo. A área tem 19km de diâmetro com milhares de zebras, gnus, búfalos e flamingos, além de algumas centenas de hienas e javalis. Leões são poucos (não passam de 100) e são difíceis de serem vistos. Tivemos a sorte de encontrar um bem de perto descansando à beira da trilha dos carros. Vejam as fotos no fotoblog ! Elefantes (apenas machos) e hipopótamos são raros e não tem as nossas amigas Girafas.

     

    Saímos do Lodge por volta das 08:30 da manhã e começamos a descer dentro da Cratera por volta das 10:30. Antes paramos na entrada do parque, tiramos fotos e fizemos o caminho ao redor da Cratera até chegar o ponto em que os carros descem. Pessoal ! São milhares de Zebras e Gnus... MILHARES !

     

    Em uma parte da cratera nesse período é permito para aos Maasai que vivem dentro da área de conservação fazerem pastoreio de vacas aos pés das encostas da cratera. Depois eu fiquei sabendo que as roupas vermelhas e varas altas que eles usam servem para deixarem longes leões e hienas. (Vou falar um dia somente dos Massai).

     

    Tem uma matéria na Super Interessante que eu achei na Internet bem legal:

     

    http://super.abril.com.br/superarquivo/1994/conteudo_114088.shtml

     

    Almoçamos na área de piquenique (dentro dos carros), pois não dá para comer fora do carro, senão as aves fazem a festa. Depois de milhares de fotos e de ter conhecido um lugar realmente fascinante por volta das 16 horas partirmos. Às 18 horas já estávamos no Lodge novamente.

     

    Fico por aqui... não dá para falar muito mais. Vejam as fotos no Fotoblog. Elas falam por si !

     

    Um dos dias mais fantásticos da minha vida. Quero voltar um dia com todas as pessoas que amo. Sabe aquele lugar que você conhece e faz planos para voltar com todos os seus amigos e familiares !

     

    Que Sábado !!!



    Escrito por rfreitasbarbosa às 09h28
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    Número 08 - O Lodge !!!

    Depois do Parque Manyara chegamos ao Lodge que ficamos hospedados por volta das 18 horas. Fica próximo à Cratera de Ngorongoro. O Lodge em si  foi um capítulo à parte. Ele fica numa zona rural, com uma vista fascinante. Praticamente são 08 Tendas armadas sob bases de madeira, um restaurante, um bar e uma área para fogueira. A energia é por gerador, não tem televisão, nem ar-condicionado. MAS NÃO PRECISA DE NADA DISSO !!!

     

    Saindo da estrada de asfalto roda-se 4km numa estrada que entrecorta inúmeros sítios. A quantidade de casas é enorme, algumas de sapê, outras de tijolos (percebe-se que as de tijolos são recentes e há várias sendo construídas no lugar das antigas – deve ter algum programa governamental de incentivo). Crianças às centenas e obviamente muitos JAMBOS ! HELLOS ! e mãozinhas acenando para nós.

     

    Fomos recebidos com um suco de maracujá especial. O serviço é personalizado. Cada um ficou numa tenda. Todos os funcionários estavam a nossa disposição. Café da Manhã, o almoço para o piquenique do safári e um jantar maravilhoso. Na primeira noite, nos levaram para uma fogueira antes do jantar. Serviram vinhos, pipocas e 03 funcionários ficaram ao redor da fogueira cantando músicas típicas da Tanzânia.

     

    O céu estrelado... sem comentários. Tem que ta lá para saber o que é !

     

    Tudo: Hospedagem por 02 noites, refeições, ingressos nos parques, os carros e os guias saíram por uma diária de US$ 200,00 por pessoa.

     

    As tendas são incrivelmente confortáveis. Um charme só !

     

    Para saberem mais acessem o site:  http://www.ngorongoroforestlodge.com/

     

    Lá tem umas fotos bem legais. Se forem em um grupo para a Tanzânia mais que recomendo. Mas não posso dizer que há dezenas de Lodges ao redor dos parques, para todos os preços e gostos.

     

    No dia seguinte fomos à Cratera de Ngorongoro, mas o lugar é tão FANTÁSTICO que vou falar para vocês na próxima.

     

    Cenas dos próximos capítulos:

     

    Cratera de Ngorongoro, animais de todas as espécies, vistas deslumbrantes e o Parque Nacional do Tarangire.

     

    Aguardem !



    Escrito por rfreitasbarbosa às 06h36
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    Número 07 - À caminho do Safari e Parque Manyara

     

    Pessoal, durante a semana de trabalho aconteceu várias reuniões, pesquisei e li bastante sobre o turismo na Tanzânia, a cultura do povo, economia, políticas, essas coisas para puder ter uma base e fazer um material consultivo interessante para a Karibu. Terminamos isso hoje (segunda-feira). Na sexta-feira está marcado para apresentarmos à Tato e à Karibu Fair.

     

    Amanhã iremos passar o dia numa escola aqui em Arusha junto com o time que está focado no projeto educacional. Acho que vai ser um dia bem interessante. Prometo que contarei tudo para vocês.

     

    Sobre os Safáris !!!! Vou contar como foi o primeiro dia:

     

    Saímos por volta das 13 horas do Lodge. A viagem foi fascinante. Impressionante como a paisagem muda repentinamente, várias vezes ! A Tanzânia tem várias regiões com vulcões extintos e em volta dessas regiões a fauna é totalmente distinta da Savana. Arusha está numa dessas regiões. À beira da estrada avista-se muitas casas de tijolos, muitos lodges e vê-se uma quantidade imensa de Vilas Maasai. A Tanzânia é um dos países do mundo com a maior porcentagem da população vivendo em zonas rurais.

     

     

    O primeiro parque que visitamos foi o Parque Nacional do Manyara. Localizado sobre as escarpas do Lago Manyara, na borda do “Rift Valley”, o Parque Nacional do Lago Manyara tem vários ecossistemas tudo num lugar só, incrível diversidade de pássaros e vistas deslumbrantes. Ele fica no caminho para a Cratera Ngorongoro e do Parque Nacional do Serengeti, Um circuito pelo lado direto do parque é indispensável. Suas águas subterrâneas, florestas, matas planas, babuínos, falésias e termas tudo junto nos dá uma variedade ecológica incrível para uma área tão pequena (o parque é menor de todos em área da Tanzânia).

     

     

    A soda alcalina que floresce nas águas salobras do Lago Manyara é a razão da incrível variedade de pássaros. Flamingos Rosa pastam aos milhares e as Cegonhas sobrevoam sob os ventos térmicos elevando-se a partir da escarpa. Mesmo o mais relutantes observadores de aves (eu sou um deles !!!) vão encontrar alguma coisa para ver e admirar.  Legal também é ver a famosa escalada de leões nas árvores, sendo que são os únicos leões no mundo que fazem do mogno e elegantes acácias suas casas durante a estação chuvosa. Além dos leões, o parque também é lar da maior concentração de babuínos em qualquer lugar do mundo - um fato que torna a visita mais interessante ainda. Observar as famílias e grupos de Babuínos é uma das coisas mais peculiares durante a visita ao parque. Os bichos são muito carinhosos com os filhotes (essa parte é bastante singela), por outro lado quem tá afim de ver sexo animal é só observá-los por mais de cinco minutos. Pensem num bicho para pensar em safadeza !!!

     

    Ah ! Sem contar as milhares de zebras e algumas girafas. Não tem elefantes, rinocerontes, nem búfalos. Portanto no primeiro dia vi somente Leão (e muito à distância). Ver leões e leopardos é uma tarefa árdua e tem que ter sorte, pois eles têm comportamentos complicados para serem vistos num Safári.

     

    Não sei se vocês sabem mais tem 05 animais na África que são considerados os “BIG FIVE”: Leopardos, Leões, Rinocerontes, Búfalos e Elefantes.

     

    Para mim ta faltando ver ainda os leopardos...

     

    Depois eu conto para vocês como foi o sábado e o domingo.

     

    Já tem algumas Fotos do Manyara no Fotoblog.

     

    http://rodrigo.freitas.barbosa.nafoto.net/

     

    Inté !

     



    Escrito por rfreitasbarbosa às 12h51
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    Número 06 - A semana de Trabalho (O Turismo na Tanzânia)

    A semana começou e o nosso trabalho aqui também (lembrando que estou atrasado) e ainda estou no meu primeiro dia de trabalho.

     

    O grupo de 09 IBMistas foram divididos em 03 sub-grupos:

     

    AWF (African Wildlife Foundation): Colleen (US), Sally (UK), Nitish (Índia), Hiroya (Japão) e Andrea (Itália)

     

    IAA (Institute of Accountancy of Arusha): Cristine (Filipinas) e Christopher (US).

     

    TATO (Tanzania Association of Tours Operators): Rodrigo Barbosa (Brasil) e a Gloria Powel (US).

     

    Eu e a Glória fomos à TATO para nos apresentarmos. O nosso objetivo será estudar a indústria do turismo na Tanzânia e como melhorar a vida das pessoas, com geração de empregos, educação, desenvolvimento cultural e equilíbrio ecológico.

     

    Nosso primeiro trabalho foi ajudar uma pequena empresa (Karibu Fair) a organizar uma feira de turismo que está programada para os dias 05 a 07 de Junho. O principal desafio dessa empresa é atrair patrocinadores e participantes para a feira.  A Glória tem um histórico na IBM na área de marketing e gestão de projetos e eu na área de vendas e também em projetos. Vamos tentar ajudar a mapear parceiros na Tanzânia e em outros países e montar um plano estratégico de marketing para a Karibu Fair. Essa será nossa atividade na primeira semana de trabalho na TATO.

     

    No primeiro dia basicamente conhecemos as pessoas da empresa e o projeto em si em todos os seus detalhes. Já é a terceira edição da feira e eles precisam se profissionalizar um pouco mais. Trabalhamos toda a semana estudando mais sobre os números do turismo da Tanzânia, sobre o turismo nos paises vizinhos, especialmente os que compõem a comunidade do leste africano (Quênia, Uganda, Ruanda, Burindi e Tanzânia) e como outras organizações de turismo nesses países, na própria Tanzânia, nos US, Europa e Ásia podem cooperar com a TATO e com a Karibu Fair.

     

    O Turismo está mudando a vida de milhões de pessoas na Tanzânia e é a Indústria que mais atrai investimentos estrangeiros no país. O turismo também serve de porta de entrada para a indústria de transportes, comunicações, alimentícia, de serviços, comércio, saúde e educação.

     

    O Turismo e o “Agrobusiness” podem ajudar a Tanzânia a sair rapidamente do posto de um dos países mais pobres do mundo. Percebo vontade política do governo em investir em educação e na infra-estrutura básica para que isso se torne realidade. Nesses primeiros 10 dias que estou aqui e pelo que tenho conversado com as pessoas, lido nos jornais e Internet estou bastante otimista que isso venha a acontecer. A Tanzânia vem crescendo na faixa dos 7% ao ano (PIB). Para um país que não tinha nada há 10 anos atrás o desenvolvimento acelerado percebe-se a olhos vistos.

     

    O meu objetivo é aprender o máximo que puder sobre a Tanzânia e tentar ajudar a TATO a divulgar a imagem do país e a desenvolver programas e parcerias no sentido de incrementar ainda mais a indústria do turismo.

     

    Bons empregos, geração de renda e educação é a base para o desenvolvimento de uma sociedade justa e próspera. Muitos acham que temos que prestar apenas serviços voluntários em situações de calamidade pública ou situações de crise humanitária. Estou aprendendo com esse projeto que evitar essas situações é tão ou mais importante que ajudar quando elas acontecem.

     

    Sem querer cair no lugar comum: em outras palavras, “mas vale ensinar a pescar do que dar o peixe”.

     

    Temos muitos preconceitos sobre os países da África. Achamos que tudo é um grande Sudão ou Somália e isso não é verdade. Muitos países da África estão passando por processos de desenvolvimento e por mudanças políticas democráticas.  Será que a África tem solução ? Para a maioria dos países creio que sim. Investir em saúde, educação e na democracia são caminhos que a longo prazo certamente vão trazer resultados muito melhores do que possamos imaginar.

     

    Em relação a questão da tribos. Aqui na Tanzânia todos vivem em harmonia. Com exceção de alguns acontecimentos na década de 90 e início dos anos 2000 que envolveram grupos radicais islâmicos na região de Zanzibar e na capital Dar es Salam e um atentado da Al-Qaeda junto à Embaixada Americana não há registro de outros acontecimentos nos últimos anos. Cristãos e mulçumanos vivem em harmonia e há representantes de ambos os grupos em todas as esferas políticas.

     

    É seguro viajar pelas estradas e os turistas são bem recebidos em cada pequena cidade ou vila maasai. Vou escrever mais a frente sobre a cultura maasai e a forma tradicional como esse povo vivi ainda hoje.

     

    Venham conhecer a Tanzânia !!! Será uma experiência única na vida de vocês. E é por que ainda não falei dos Safaris desse final de semana... Ainda hoje prometo postar no Blog a experiência de se fazer um safári.  http://www.tanzaniatouristboard.com (Aqui vocês vão ver fotos incríveis sobre a Tanzânia).

      

    Um abraço à todos ! 



    Escrito por rfreitasbarbosa às 06h03
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    Número 05 - Arusha

     

     

    Pessoal, acabo de chegar de 03 dias de Safáris. Sexta-feira à tarde saímos de Arusha e ainda na sexta conhecemos o primeiro parque, no sábado outro e no domingo outro. Tô exausto ! Mas nada quem um banho de quase 30 minutos não resolva. Acho que tinha poeira até nos buracos dos meus dentes.

     

    Bem, mas esses dias de Safári eu conto depois para vocês.

     

    Ainda estou no dia da chegada em Arusha. O Lodge que a ONG parceira da IBM escolheu é bem simpático. Nada de luxo ! Cada um no seu quarto. Não tem ar-condicionado, mas à noite a temperatura fica bem amena. Dorme-se com um ventilador e é suficiente. Um defeito grave e que me incomoda: não tem frigobar. Tem piscina, um café super agradável, um restaurante que se tem um menu completo. TV à Cabo com dezenas de TVs da Índia (não me perguntem por quê..), Sony, CNN e Aljazeera (excelente assisto todos os dias e é melhor que a CNN). A música ambiente do Café é EXCELENTE ! Internet Wireless grátis... apensar de muito lenta !

     

    O nome do Lodge é Outpost Lodge:

     

    http://www.outposttanzania.com/facilities.htm

     

    O Lodge é de um casal da Nova Zelândia. Todos os empregados são daqui. Muitos simpáticos, educados e prestativos. Todos nos chamam por nossos nomes (eles tem boa memória). A comida é excelente. Enjoa-se se comer todos os dias e no terceiro dias começamos a conhecer outros restaurantes na cidade e são vários, para todos os gostos. Preços acessíveis, alguns na verdade bem baratos. Comida  será um capítulo à parte. Mas ainda não fui apresentado à cérebros de macacos e meu intestino está funcionando com um relógio.

     

    A cidade tem hotéis excelentes, uma meia dúzia que eu poderia dizer 05 estrelas. Além disso, há dentenas, e não é exagero, de Lodges nas redondezas de Arusha, nas zonas rurais e nos parques naturais. Ontem, à caminho de parque, passamos por um Lodge que a diária por pessoa (all inclusive) é por volta de US$ 1.000,00. Para poucos. Mas para os brasileiros como nós há dezenas de opções que variam de US$ 30,00 a US$ 120,00.

     

    Há centenas de europeus por todos os lados aqui... alguns poucos Indianos, Japoneses, Chineses e Americanos. Brasileiros nunca aparecem por aqui. Lembrado que além de Arusha outra importante região turística é a ilha de Zamzibar,

     

    Há 10 anos atrás Arusha tinha 04 hóteis e a cidade era um terço do tamanho que é hoje. Não havia celulares e energia elétrica era através de geradores (isso está fazendo parte dos meus estudos aqui sobre o turismo). Somente empresas de celulares tem atualmente 03 em operação aqui numa concorrência acirrada.

     

    No Lodge que estamos hospedados tem uma excursão de adolescentes de uma escola da Noruega. Estava conversando com a professora e ela estava me dizendo que isso é comum na Noruega: Excursões escolares em países da África. Eu falei para ela que no Brasil o costume era as escolas mandarem os alunos para a Disney. Ela fez uma cara estranha e me perguntou: O que se aprende na Disney ? Primeiro mundo é outra coisa. Depois, se vocês acompanharem mesmo o meu blog, vocês vão entender por que aqui é tão legal para se visitar.

     

    No primeiro dia andando pela cidade eu constatei as seguintes coisas:

     

    Há bairros nobres e pobres, como nas cidades do Brasil.

     

    Há dezenas de agências bancárias ! e ATMs 24 horas ! O sistema bancário na Tanzânia é incrivelmente pulverizado. Tem mais de 10 marcas de bancos e  saque-se normalmente nos ATMs 24 horas com os cartões internacionais do Brasil em moeda local. Nos ATMs vê-se na primeira tela: KARIBU (Bem-Vindo em Suaíle).

     

    O comércio é bem diversificado.

     

    Nada de carros velhos na rua. Na maioria são carros 4x4 novos e de boas marcas. Apenas carros que nota-se são das zonas rurais por carregar bananas e outras coisas são antigos. 

     

    As pessoas locais falam muito e os vendedores de artesanato surgiram às centenas. Mas eles são menos chatos que os de Olinda ou do Pelourinho.

     

    Me senti muito seguro.

     

    Alguns bairros não tem iluminação pública eficiente.

     

    Somente as principais ruas são asfaltadas e as calçadas estão sendo construídas agora. A poeira é um defeito grave que a cidade tem !

     

    Tem algumas praças bem cuidadas.

     

    A cidade é MUITO ESPALHADA. A princípio acha-se que é pequena, mas é grande. Não dá para conhecer tudo à pé.

     

    Táxi é SUPER BARATO.

     

    Não se vê obesos.

     

    Não se vê velhos.

     

    Se vê jovens e crianças por todos os lados.

     

    Ta bom por enquanto senão vocês acabam desistindo !

     

    Amanhã falarei do nosso projeto na TATO. Vejam as fotos no Fotoblog:

     

    http://rodrigo.freitas.barbosa.nafoto.net/

     

    Até lá !



    Escrito por rfreitasbarbosa às 16h26
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